terça-feira, 30 de agosto de 2016

Top Ten Tuesday #59

Imagem daqui

10 livros que me marcaram enquanto estudava

O TTT desta semana é um freebie de regresso às aulas. Tendo em conta as sugestões deixadas, acabei por adaptar para este tema. Apesar de o gosto da leitura ter estado presente desde que me recordo, a verdade é que algumas leituras do meu tempo de estudante marcaram-me, umas, moldando-me, outras, apenas como a memória de uma boa história.

A Filha da Floresta  (Trilogia de Sevenwaters, #1)
1. A Filha da Floresta, de Juliet Marillier.

Preciso de dizer mais? Este livro de Juliet Marillier define a minha leitura ainda hoje em dia.

Sangue e Ouro
2. Sangue e Ouro, de Anne Rice.

Tal como Juliet Marillier, este livro de Anne Rice, o primeiro que li seu, define-me também.

O Estranho Caso do Cão Morto
3. O Estranho Caso do Cão Morto, de Mark Haddon.

Teria de reler o livro - algo que pretendo fazer ainda um dia - para poder dizer o que me marcou tanto nele. A verdade é que o fez, pois nunca mais me esqueci da história e lembro-me que gostei mesmo muito.

A Papisa Joana
4. A Papisa Joana, de Donna Woolfolk Cross.

Outro livro que me ficou gravado, talvez pela sua história controversa.

Harry Potter e a Pedra Filosofal (Harry Potter, #1)
5. Harry Potter e a Pedra Filosofal.

Eu comecei a ler Harry Potter quando tinha a idade do protagonista - portanto, foi fácil crescer com as personagens e sonhar com Hogwarts.

The Hobbit
6. O Hobbit, de J.R.R. Tolkien.

Foi o primeiro livro que li do autor e que me fez gostar verdadeiramente de si, e não gostar apenas por ter criado o fantástico universo de O Senhor dos Anéis.

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7. Romeu e Julieta, de Shakespeare

Li uma versão adaptada, em prosa, da história. Mas isso fez-me ficar com o bichinho tanto do génio literário como dos clássicos.

Vamos aos que me marcaram pela negativa?

Onze Minutos
8. Onze Minutos, de Paulo Coelho.

Li para uma aula e, se gostava pouco de Paulo Coelho antes, então este livro consolidou a minha opinião. O facto de me ter valido uma discussão brutal com a professora de Literatura Portuguesa também não abona muito a seu favor.

A Praia do Destino
9. A Praia do Destino, de Anita Shrieve.

Este livro confirmou-me que eu não fui feita para romances cor-de-rosa demais.

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10. Qualquer livro de Nicholas Sparks.

Sim, sim, é o meu ódio de estimação. Mas eu li bastantes livros dele - na altura não havia dinheiro para comprar livros e uma colega minha, que o adorava, lá me emprestava para ler. Era o que havia! Ao menos, posso dizer sem peso nenhum na consciência que não gosto, sabendo do que falo!

E vocês, que leituras ficaram convosco do vosso tempo de estudantes?

Bando de Corvos, de Anne Bishop - Opinião [Saída de Emergência]

Bando de Corvos (Os Outros, #2)
Título: Bando de Corvos
Título Original: Murder of Crows
Série: Os Outros
Autora: Anne Bishop
Ano de Publicação: 2016
Número de Páginas: 416

Nesta nova série somos transportados para um mundo habitado pelos Outros, seres sobrenaturais que dominam a Terra e cujas presas prediletas são os humanos. 

Depois de conquistar a confiança dos Outros que habitam Lakeside, Meg Corbyn teve alguma dificuldade em perceber o que significa viver entre eles. Como humana, Meg deveria apenas ser tolerada como presa, mas os seus dons como cassandra sangue tornam-na algo mais. 

A aparição de duas drogas aditivas foi a faísca que desencadeou a violência entre os humanos e os Outros, resultando em mortes para ambas as espécies nas cidades limítrofes. Quando Meg tem um sonho sobre sangue e penas negras na neve, Simon Wolfgard – o líder metamorfo de Lakeside – pergunta-se se a profetisa de sangue sonhou com o passado ou uma ameaça futura.

À medida que as profecias se revelam a Meg, cada vez mais intensas e dolorosas, as intrigas adensam-se em Lakeside. Agora, os Outros e o punhado de humanos que aí residem terão de reunir forças para parar o homem que se assume como o verdadeiro profeta de sangue – e extinguir o perigo que ameaça destruir todos os clãs.

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Finalmente chegou às minhas mãos o segundo volume da série Os Outros, a mais recente escrita por Anne Bishop e felizmente a ser editada, com qualidade, em Portugal. Tinha ainda alguns livros a ler à frente deste, mas não lhe pude resistir mais; estava ansiosa por ler.

Em Bando de Corvos temos uma história mais familiar, mais detalhada, que nos permite conhecer melhor o mundo de Namid e, sobretudo, o Pátio de Lakeside. As profecias de Meg continuam a acontecer - está-lhe, literalmente, no sangue - e quando acabam por morrer metamorfos, o assunto toma novas dimensões. Finalmente temos Simon e os demais atrás do Controlador, o humano que estava por trás do tráfico do sangue das Cassandra Sangue, e que continua atrás de Meg.
A narrativa é incrivelmente lenta. Temos tempo de conhecer as personagens, de imaginarmos com detalhe os ambientes, de, simplesmente, nos ligarmos ao mundo. O facto de ser lenta não a torna pior, nada disso - apenas se desenrola de uma forma mais suave, com os momentos de tensão a crescer gradualmente até nos fazer devorar as páginas umas atrás das outras para saber o que acontece.
Como sempre, sou bastante suspeita para falar; quem me segue, sabe o quanto adoro Anne Bishop. Mas é que não percebo o que há para não adorar. A autora é simplesmente fantástica, fabulosa, espectacular, maravilhosa, chamem o que quiserem, nada lhe faz jus. As suas personagens são credíveis e fáceis de se conectar com o leitor. A sua escrita fluída e intensa torna cada página uma aventura a saborear. Uma das melhores escritoras de sempre, ponto final.
O leque enorme de personagens mantém-se mas o facto de esta ser uma leitura mais calma permite-nos conhecer melhor cada uma, conforme vão desfilando pelas páginas. E mesmo as ligações que as próprias personagens estabelecem entre si são tão bem pensadas que... uau. Simplesmente uau. Ver a evolução da relação dos Outros com os humanos, com Meg, a relação de Meg com qualquer ser vivo... Uau.
Chegamos ao fim e nem damos por ela. Uma construção lenta, um mundo em guerra, raças e personagens e mortes e descobrimentos... e de repente chegamos ao fim. Queremos mais!

Vou ser um bocadinho spoiler, mas é uma coisinha pequenina mesmo: continuamos sem ver um romance concreto entre Meg e Simon. Claro que sabemos que vai acontecer e que, embora não se tenham apercebido, já se estão a apaixonar um pelo outro, a verdade é que em Bando de Corvos a sua relação mantém-se bastante cândida. E nem senti falta disso. Senti no volume anterior, em Letras Escarlates. Neste segundo livro, não dei pela falta da relação amorosa, pois a sua amizade - "amizade" - é tão pura, tão protectora, tão inocente, que deixou a romântica em mim satisfeita.

Continuo a puxar a brasa à minha sardinha e a defender Efémera como a obra-prima de Anne Bishop; no entanto, Os Outros também é leitura obrigatória. É uma fantasia bastante dura, não tão sonhadora como o restante trabalho da autora, mas de igual qualidade. É uma história crua, com bastante acção e, ao mesmo tempo, com lugar para toda uma panóplia de sentimentos. Sentimo-nos parte da alcateia. E sentimo-nos terrivelmente ansiosos para ler a continuação!

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A Ler: O Oceano no Fim do Caminho, de Neil Gaiman

O Oceano no Fim do Caminho
Título: O Oceano no Fim do Caminho
Título Original: The Ocean at the End of the Lane
Autor: Neil Gaiman
Editora: Editorial Presença
Ano de Publicação: 2014
Número de Páginas: 184

Este livro é tanto um conto fantástico como um livro sobre a memória e o modo como ela nos afeta ao longo do tempo. A história é narrada por um adulto que, por ocasião de um funeral, regressa ao local onde vivera na infância, numa zona rural de Inglaterra, e revive o tempo em que era um rapazinho de sete anos. As imagens que guardara dentro de si transfiguram-se na recordação de algo que teria acontecido naquele cenário, misturando imagens felizes com os seus medos mais profundos, quando um mineiro sul-africano rouba o Mini do pai do narrador e se suicida no banco de trás. Esta belíssima e inquietante fábula revela a singular capacidade de Neil Gaiman para recriar uma mitologia moderna.

domingo, 28 de agosto de 2016

A Linguagem Secreta das Irmãs, de Luanne Rice - Sinopse & Opinião [Marcador]

A Linguagem Secreta das Irmãs
Título: A Linguagem Secreta das Irmãs
Título Original: The Secret Language of Sisters
Autora: Luanne Rice
Editora: Marcador
Ano de Publicação: 2016
Número de Páginas: 336

Quando Ruth Ann (Roo) McCabe, ao volante do seu carro, responde a uma mensagem de texto, no telefone, a sua vida, tal como era até então, termina. O carro capota e Roo acaba numa cama de hospital, paralisada. Silenciosa. Todos pensam que está em coma, mas Roo tem síndrome de encarceramento –consegue ver, ouvir e compreender tudo à sua volta, mas ninguém sabe. Mathilda (Tilly) é a irmã de Roo e a sua melhor amiga. Foi ela quem enviou a mensagem de texto a Roo e, inadvertidamente, causou o acidente. Tilly tem agora de lidar com a sua culpa avassaladora e com os seus sentimentos crescentes pelo namorado de Roo, Newton –a única pessoa que parece perceber aquilo que Tilly está a passar.
Mas Tilly pode ser a única pessoa capaz de resolver o mistério da situação da sua irmã –aquela que consegue ver a verdade através do silêncio de Roo.

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Por vezes sentimos necessidade de ler um livro só porque sim. Não há propriamente nada a puxar-nos para ele, mas sentimo-nos incrivelmente atraídos para si; foi assim com A Linguagem Secreta das Irmãs.

É um livro que se lê extremamente bem, com uma história poderosa, e que penso que afecta os leitores de dois mundos diferentes, através de um aspecto distinto: ter irmãos.
Eu tenho uma irmã - eu sou uma irmã. E nunca este simples facto foi tão real para mim do que enquanto lia este livro. Quase que senti pena de quem é filho único e não sabe o que é ter alguém que, simplesmente, está lá. Pode ser uma ligação instantânea, pode demoras anos, mas saber que a minha irmã - ou a vossa - está lá, sempre estará, é uma sensação brutal. Assim sendo, penso que a experiência desta leitura irá ser diferente para quem é irmã e saberá o que é dito naquelas páginas, e para quem não é e, por mais que goste da história, nunca saberá o que é verdadeiramente identificar-se com aquelas linhas. Se, por algum motivo, estiverem chateados com os vossos irmãos, este livro vai-vos dar vontade de ir fazer as pazes, de imediato.
Depois, tantas coisas que este livro ensina... mas, principalmente, a não tomar as coisas por certo e a ter cuidado na estrada. Nunca pensei escrever um comentário a um livro e dar relevância a isto, mas a verdade é que a história se baseia numa realidade, infelizmente, bastante comum. E é um assunto que mexe bastante comigo, e não podia deixar de o mencionar aqui: a falta de atenção na estrada. Desviem os olhos por um segundo e podem destruir a vossa vida e a de outros.
Voltando ao livro: que leitura emocionante! Devorei. É fácil criarmos laços com as diferentes personagens, embora tenha de admitir que a atitude de Roo perante o médico que a trata e Newton me enervou um pouco. Tirando isso, personagens fantásticas e uma história trágica mas com espaço para a inocência de novos amores, para a doçura das eternas lembranças e um bem-vindo humor.
Esperava um final feliz - 100% feliz, entendam-me. Custou-me acabar a leitura e despedir-me de Roo e de Tilly, principalmente mais de Tilly. Não conhecia Luanne Rice e, se consegue criar personagens tão poderosas numa escrita mais juvenil, imagino o resto da sua obra.

A Linguagem Secreta das Irmãs é um lamento cantado a duas vozes, onde o medo e a esperança andam de mãos dadas. Uma leitura obrigatória!